8 de jun. de 2009

Eu sou neguinha?


É a sua pele que eu mordo, que eu beijo, afago e mastigo como se fosse solta. Essa carne preta que me tapa os olhos, que se mistura com o semibreu do quarto, e eu só vejo o branco dos seus dentes certos, o branco dos seus olhos negros. É essa carne dura, esses músculos tesos, tudo teso, tudo preso, forte como um touro, louco como um deus. Esse corpo que me esmaga, essas pernas que me prendem, essa boca que me sufoca, que me invade, o vermelho da minha língua nos seu lábios quase roxos, o vermelho da minha língua no seu pescoço escuro, o vermelho da minha língua no vermelho da sua língua. E quem sou eu? Um pedacinho de gente, um fiapo de mulher, quase nada comparada ao seu corpanzil de macho, quase nada comparada ao seu porte de guerreiro. Descendente de Zumbi, filho dos orixás, tambor sem vergonha batendo no peito que eu me jogo suada depois de tanto amar. Grito, e você grita, e gritamos juntos numa melodia quase surda, filhos do norte com o sul, Iansã que nos ouça. Pé, perna e todo resto na senzala, coração que não se controla com os atabaques, corpo que não se cansa de ritmar. E eu alí, jogada com você no branco dos lençóis, sua pele colada na minha, suas mãos puxando meus cachos, alí eu me pego pensando na minha pele amarela contrastando com a sua. Café-com-leite, café-com-leite, você sussurra. Eu viro, reviro e desviro, olho nos seus olhos, penso e repenso cada letrinha: sempre gostei de café preto.




P.s.: Pra ler ouvindo "Eu sou neguinha", na versão lindamente interpretada por Vanessa da Mata!

6 de jun. de 2009

Diabo de saias: Souvenir para a irmã

Amanda O.: Um pecado...

São os cachos, certeza que são os cachos. Ela é como a Medusa: hipnotiza a todos que a olham. Lábios cheios, pele amorenada, lasciva no olhar, essa menina é mulher demais. A primeira vista parece uma mocinha tímida, recatada, o riso fácil sempre contido com as mãos. Mas não, Amanda é um perigo. Guarda doçura no peito e pecado embaixo dos cachos. Certeza que são os cachos!
Quantos homens se perderam naquele emaranhado de fios castanhos? Quantos homens se bateram naquelas curvas morenas? Ah, Amanda! Feiticeira do amor, diabo de saias. Sonho e pesadelos desses infelizes que te querem! Amanda amada, Amanda amante: delícia, delírio, porta do inferno e chave do paraíso.
Cuidado rapazes, caso se batam com uma morena tropicana por aí, olhem as ancas, as coxas grossas, os olhos de ninfa, só não notem os cachos: certeza que o encanto está naqueles cachos!



P.s.: Obrigada aos seguidores, às pessoas que comentam, àquelas que leem. Aos que incentivam, aos que criticam, aos que se dão ao trabalho de gostar. É pra vocês que eu me esforço em escrever, mesmo sendo medíocre algumas vezes, não sendo interessante algumas vezes, não sendo sensata a maioria das vezes. Obrigada, beijos nas pálpebras de vocês!

2 de jun. de 2009

Declaro


Não quero mais que você duvide do quanto estou apaixonada por você. Não quero mais imaginar você sem mim, não quero mais imaginar meus braços sem os seus, seus abraços sem os meus, como naquela música. Não quero mais imaginar beijos que não sejam os seus, toques que não sejam os seus. Não quero mais me imaginar sem você.
E se você acha tolice essa minha mania de cogitar, essa mania de poetizar nossos problemas e falar demais, eu já tô tão só que só assim pra de vez me inteirar. Se se entregar demais assim é enlarguecer, querer demais assim, é padecer.
Me pego cantando sem mais, mesmo sem você aqui o tempo todo, me pego cantando por alguém que não é de todo meu e nem sei se queria que fosse assim o tempo todo, a delícia disso tudo é o não ser. Se eu te amo cada vez mais um pouquinho, se eu te amo e se eu nem sei o que amar é, se amar é, trago a certeza de ter mel a mais cada dia com você, toda doçura pra você, toda incerteza que é você.
Borboletas ainda batem asas na minha barriga, meu coração ainda dá pinotes quando você sorri pra mim nos sonhos. E se eu queimo e minhas bochechas coram quando eu penso assim, se eu dou risada ao lembrar bobagens, sinal de que ainda é e ainda será. As lembranças são as mesmas, o cheiro é um só, o gosto do beijo não dado é único, e ainda será. O amor que nasceu, se não é, ainda será.

1 de jun. de 2009

Tereza

Lavo, passo, cozinho
Cuido da casa, cuido das vidas
Da minha
Da sua
Das vizinhas
Vivo feliz, quase sozinha
E só de noite
Você me procura
Me beija, me chama de dengo
Me leva a loucura
Me lambe e se lambuza
Depois vira e dorme
Escuta aqui nego
Não é bem assim
Em cima daquele bicama
Sou eu quem faz drama
Você só diz sim!