Ela caminhava com pressa por uma larga avenida cercada de prédios altos.O cinza, como um grande monstro, parecia que iria engolir à cidade.
Mas ela não reparava nisso agora. estava com pressa! Muita pressa! Essa sua vida corrida... tantos problemas! Marido, filhos, trabalho. Tanta coisa pra se preocupar.
E ela ali, parada na calçada, esperando o sinal fechar pra tentar atravessar a rua. Verde, amarelo, vermelho.
- Leonora, meu amor!
"Devo estar mesmo louca" pensou. No meio da faixa de pedestres, parado em frente à ela estava um jovem rapaz.
Lindo, loiro e... montado em um cavalo branco. Espantosamente branco. E a estava chamando de meu amor!"Deve ser aquele remédio para os nervos" pensou, enquanto ria nervosamente.
- Por Deus minha amada, eu te procurei por tanto tempo!
- O...Oi?
- Não está me reconhecendo Leonora? Sou eu, Sir Edward Von Hustien, conde de Annemasse, seu futuro esposo!
- Como? Mas eu...
- Vamos minha querida, vou leva-la de volta para o seu castelo, onde em breve nos casaremos!
Amélia respirou profundamente. Se aquilo era uma brincadeira, o pessoal da firma ia pagar caro! Mas se não fosse...Pensou nos filhos bagunçando toda a casa e no marido gritando
para ela adiantar a janta. Pensou nas milhares de horas extras que precisava fazer para completar a renda da família. O nome dela não era Leonora e nem nunca tinha ouvido falar
em nenhuma Annemasse... Mas, quem sabe ele não tinha confundido ela com alguma prima distante? Seu pai disse uma vez que eles tinham parentes lá pras bandas do Ceará...
Que se dane!
Subiu no cavalo branco ajudada pelo belo conde e partiu em direção à Annemasse, (que não ficava no Ceará, como ela suspeitava, mas sim no sul da França) onde viveu feliz para sempre. Até perceber que uma casa com 4 cômodos era mais fácil de se arrumar do que um castelo de 47. E de que quando o conde bebia licor de cereja ficava muito chato. E gay.
Moral da história:
Amélias sempre serão mulheres de verdade. Até em Annemasse.
4 de mai. de 2008
26 de abr. de 2008
Poemeto Descritivo
Seu sorriso,
Melaço de cana, mel de abelha
Doce como o céu.
Seu olhar,
Samba-enredo, canção de amor
Partituras ilegíveis
Você, mar revolto
Ninho de beija-flor,
Ambrosia, noz moscada
Minha quimera, meu jardim secreto
Meu segredo.
Sophia Anônima.
Melaço de cana, mel de abelha
Doce como o céu.
Seu olhar,
Samba-enredo, canção de amor
Partituras ilegíveis
Você, mar revolto
Ninho de beija-flor,
Ambrosia, noz moscada
Minha quimera, meu jardim secreto
Meu segredo.
Sophia Anônima.
12 de abr. de 2008

"Há muito tempo atrás, no reino subterrâneo, onde não existe mentira, nem dor, vivia uma princesa que sonhava com o mundo dos humanos. Sonhava com o céu azul, a brisa suave e o brilhante sol. Um dia, burlando a segurança, a princesa fugiu. Uma vez no exterior, a luz do sol a cegou e apagou de sua memória qualquer indício do passado. A princesa esqueceu quem era, onde vivia, seu corpo sofreu frio, doença e dor. E ao passar dos anos, morreu. Mas seu pai, o rei, sabia que a alma da princesa voltaria, talvez em outro corpo, em outro tempo e em outro lugar. E a esperaria até seu último momento, até que o mundo deixasse de girar."
El Labirinto del Fauno - Gillermo del Toro
P.S.: Essa foto seria o monstro comedor de criancinhas. Mas olha que simpática eu sou, coloquei até cílios nos olhos dele!
Olhares Vazios
Ando colecionando olhares. É, olhares. Tem pessoas que colecionam cartas, chaveiros, selos. Outras colecionam amores. Eu não. Eu coleciono olhares. De todos os tipos: olhares de dor, de desejo, de preocupação, de gratidão. Olhares apaixonados, rancorosos, olhares vazios. Ah! Os olhares vazios! São os meus prediletos. Dentro deles consigo enchergar a alma nua das pessoas. Como? O olhar de um jovem apaixonado, por exemplo. Nos olhos dele não existem só a sua alma. Já se misturou a da amada, estão fundidas, amalgamadas. Ou àqueles olhos tristes da mocinha. Lavados com dor e lágrimas. Alma lavada não é uma alma nua. Acaba virando uma alma nova.
Mas isso não acontece nos olhares vazios. A alma está ali, pura, virgem, esperando para ser delicadamente analisada. Quase posso pegar nos braços as almas que vejo nesses olhos.
Leves, puras, liliáceas.
Mas eu não tenho o poder de arrancar almas, por sorte. Nem o queria.
Mas posso capturar olhares. De preferência, vazios.
Sophia Anônima.
Mas isso não acontece nos olhares vazios. A alma está ali, pura, virgem, esperando para ser delicadamente analisada. Quase posso pegar nos braços as almas que vejo nesses olhos.
Leves, puras, liliáceas.
Mas eu não tenho o poder de arrancar almas, por sorte. Nem o queria.
Mas posso capturar olhares. De preferência, vazios.
Sophia Anônima.
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