16 de jul. de 2009

Filhos de Netuno

Estávamos nós alí, os dois sob a cúpula celeste numa noite de áries, costas deitadas na grama, braços enlaçados. Ventava pouco, cheiro de mar, o mar lá em baixo se chocava violentamente nas pedras como se quisesse chamar a nossa atenção - mas não chamava. Ele me contava das estrelas e me fazia rir, seus olhos cintilavam como a mais bonita delas e eu nem fingia enxergar o desenho das constelações que ele ia mostrando com o dedo em riste, sob o meu olhar de reprovação. Dá verruga na ponta do dedo, não sabe? Ele ria e nem ligava, ou ligava pouco.
E nós alí, o céu sem lua, o mar feroz ululando no seu cobertor de ondas, a grama fresca, nós alí, as estrelas dos olhos dele me olhando, nossos beijos longos demais, nossos corpos longes demais, nossa história sempre assim, como os mistérios do mar.

O que vai ser de nós? Eu disse meio triste, meio cansada. Mas ele nem ligou, ou ligou pouco, me apertou num abraço, me roubou um suspiro e me fitou com os olhos que agora mais pareciam a galáxia toda: buracos negros, asteróides, cometas e o que mais vier.
Nós alí, órion e as três Marias, nenhuma palavra, o sal do mar, o brilho do farol, nós alí, velados pelo céu de Galileu e da Santíssima Trindade.
E como tudo é mesmo simples e complexo demais pra ser entendido, nós apenas concordamos. Não que eu tivesse compreendido o desenrolar da história toda e do porvir, e creio que ele também não, apesar de saber que entende-lo é quase como querer enxergar as imagens que dizem que as estrelas formam, os cisnes, os gêmeos. É interessante e ao mesmo tempo surreal. E louco e desafiador. É uma viagem, mas quem não é?
Mas nós, nós somos filhos de Netuno. E não há outro destino senão esse de aceitar e de deixar-se levar como as ondas que rebentam lá embaixo, na certeza das desilusões.
Nós ali.
E o que mais importaria?

15 de jul. de 2009

Lá vai

Lá vai ela, lá vai ela

Toda bonitinha, meu deus

Laço de fita nos cabelos

Andar todo reboloso

Toda bonitinha, meu deus


E só deus sabe

O quanto eu queria

Tá laçado no laço de fita

Da moça bonita que eu vivo a fitar!


E mais além

[lá vai ela]

Toda bonitinha...

Meu deus!

9 de jul. de 2009

Essas Moças*


Na foto: Prisoca linda

Como aquelas moças que moldam corações rosados em papel machê e sonham com uma vida recheadas de sonhos inquebráveis. Aquelas, aquelas que se deixam consumir feito vela que se acaba depois de algum tempo acesa, que amam demais e se entregam mais ainda, que ainda acreditam no brilho do olho do outro, mesmo esse outro não tendo tanto brilho no olho pra se acreditar. Você sabe dessas moças? Dessas, que procuram incansavelmente por uma metade, um terço, um quarto, seja lá quanto for, essas que procuram em todos os vãos um pedacinho pra se completar. Mesmo sabendo que esse vazio estranho dentro do peito nunca será completado, seja por pedaço, pedacinho ou pedação. Essas moças bobas que riem por besteiras, que choram por bobagens, e que vestem emoções como roupa, sabe dessas moças? Essas daí, que vivem a falar de si, a se queixar, a se martirizar e a se conformar com as peripécias da vida, que nem sempre é justa, que nem sempre é bela, mas que ainda assim é a vida que ganharam. Quase sempre o que elas querem é um colo morno, um leite quente, um afago nos cabelos, meias palavras de compreensão e um sorriso sincero. Ou nada disso. Essas moças querem é poder continuar acreditando nos quereres doces, no devaneios criados para amenizar a dor da realidade tão sabida, e tão cruel. Ah, essas moças! Dessas eu conheço tantas...


*Souvenir pra Gabriela e Priscila, companheiras de sonhos e conversas no meio fio. Uma beijoca!

1 de jul. de 2009

Só pra constar

Escrevi o centésimo post pro blog de Mateus, depois de muito ele insistir, mesmo sabendo que eu achava responsabilidade demais pra mim!
Mas acho que no fim das contas ficou legal, até.
Olhem lá e tirem suas próprias conclusões!
http://hatipica.blogspot.com/2009/07/linger.html



Palavras chaves da semana:
TPM, panquecas de brigadeiro, the cranberries, lágrimas, remorso, colo, melhores amigas, sono, sono, sono, toca rauuuuuuul, coca-cola, contos, Caio Fernando de Abreu, ele, ele, ele, nós, poesias, chocolate, analgésico, sono, sono, ele, TPM, lágrimas, zero na prova de língua portuguesa, sono, saudade, frio, sono, "you know i'm such a fool for you", fones de ouvido, noites em claro, sono, sono, TPM.
E eu só sei de uma coisa, viu velho: eu só acredito no horóscopo.