26 de abr. de 2008

Poemeto Descritivo

Seu sorriso,
Melaço de cana, mel de abelha
Doce como o céu.
Seu olhar,
Samba-enredo, canção de amor
Partituras ilegíveis
Você, mar revolto
Ninho de beija-flor,
Ambrosia, noz moscada
Minha quimera, meu jardim secreto
Meu segredo.


Sophia Anônima.

12 de abr. de 2008


"Há muito tempo atrás, no reino subterrâneo, onde não existe mentira, nem dor, vivia uma princesa que sonhava com o mundo dos humanos. Sonhava com o céu azul, a brisa suave e o brilhante sol. Um dia, burlando a segurança, a princesa fugiu. Uma vez no exterior, a luz do sol a cegou e apagou de sua memória qualquer indício do passado. A princesa esqueceu quem era, onde vivia, seu corpo sofreu frio, doença e dor. E ao passar dos anos, morreu. Mas seu pai, o rei, sabia que a alma da princesa voltaria, talvez em outro corpo, em outro tempo e em outro lugar. E a esperaria até seu último momento, até que o mundo deixasse de girar."


El Labirinto del Fauno - Gillermo del Toro



P.S.: Essa foto seria o monstro comedor de criancinhas. Mas olha que simpática eu sou, coloquei até cílios nos olhos dele!

Olhares Vazios

Ando colecionando olhares. É, olhares. Tem pessoas que colecionam cartas, chaveiros, selos. Outras colecionam amores. Eu não. Eu coleciono olhares. De todos os tipos: olhares de dor, de desejo, de preocupação, de gratidão. Olhares apaixonados, rancorosos, olhares vazios. Ah! Os olhares vazios! São os meus prediletos. Dentro deles consigo enchergar a alma nua das pessoas. Como? O olhar de um jovem apaixonado, por exemplo. Nos olhos dele não existem só a sua alma. Já se misturou a da amada, estão fundidas, amalgamadas. Ou àqueles olhos tristes da mocinha. Lavados com dor e lágrimas. Alma lavada não é uma alma nua. Acaba virando uma alma nova.
Mas isso não acontece nos olhares vazios. A alma está ali, pura, virgem, esperando para ser delicadamente analisada. Quase posso pegar nos braços as almas que vejo nesses olhos.
Leves, puras, liliáceas.
Mas eu não tenho o poder de arrancar almas, por sorte. Nem o queria.
Mas posso capturar olhares. De preferência, vazios.


Sophia Anônima.





6 de abr. de 2008

Para Paola

Teu Assoneto Primaveril

Vali-me de um neologismo para intitular teu poema
Pois de soneto, tem somente a vontade.
Usei-o, pois, queria escrever algo belo e sincero
Bem, sincero ele será, porque é teu,
E as palavras não mentiriam para ti .
Mas não posso esperar que seja bonito como teus olhos,
Ou que brilhe como eles
Isso seria uma utopia!
Então espero que seja ao menos fresco como a brisa da manhã,
E doce como fruta madura que floresceu na primavera
Aliás, com quantas primaveras se faz uma boa amiga?
Canto e conto dezessete vezes
Mas bem sabes que não sou boa com números
Senão, dar-te-ia uma equação!
Ousei assim, usar as palavras,
Palavras que me encantam e falam por mim
Mesmo quando não sei bem o que dizer.
Se essas frases tolas a fizerem sorrir
Ou que a alegre, pelo menos, por instantes
Juro que lhe escreverei mil vezes dezessete vezes
Pois teu sorriso é minha quimera
E é a ele que dedico o teu poema.
Tão teu, que as letras já saem endereçadas
Prontas para brindar-te a vida
Pois sem ti, Paola, elas não teriam razão para existir
Já que só existem para regar as flores das tuas primaveras.


Sophia Anônima