5 de mai. de 2009

Dancing queen


Eu nunca fui um bom partido.
Nunca fui como aquelas menininhas bonitinhas e inocentes, que dão mais risadas do que falam, e quase sempre balançam as cabecinhas miúdas em sinal de concordância no final de cada frase.
Eu sempre falei demais, falei o que me vinha na cabeça e o que não me vinha também, pensar demais antes de formar uma frase lúcida nunca foi o meu forte. Tô pouco me lixando para a lucidez.
Nunca fui como aquelas mocinhas delicadas e faceiras, que quase dançam ao andar, lépidas e graciosas como fadas bailarinas.
Eu sempre fui desengonçada como a zorra, vivo tropeçando no meu dedão maior que as sandálias, e tenho um senso de equilíbrio quase nulo.
Nunca fui como aquelas jovenzinhas simpáticas e sempre tão gentis, que falam em redondilha maior ou em versos alexandrinos.
Eu sempre tive o vocabulário chulo de uma mulher da vida, e perto de mim muitas vezes elas parecem amadoras.
Porque meu bem, de teoria eu sei é tudo.
E o pior, é que no fundo no fundo, eu sou um bom partido.
Mas quem liga pra profundidades?




Fatos:
- A lua tá mudando, e junto com ela o meu humor e o meu amor. Aliás, meu humor oscila várias vezes durante o dia, variando de ''felicidade extrema'' a ''fossa mor'', passando por ''apatia momentânia'' e ''depressão total''. Pode isso? Como é que eu consigo conviver comigo mesmo há 18 anos? Vá lá saber.

- Amo demais a chuva, o tempo frio, a possibilidade de me panharem num beijo no meio do caos do trânsito, mas namoral, a faculdade vira um brejo, a cidade pára e as pessoas ficam todas mui loucas. Olhando pela janela do busu, duas horas e meia de congestionamento, eu meio desorientada pelo sono, pela cólica e pela fome, vejo elas correndo com guarda-chuvas quebrados no meio dos carros, e aquilo tudo perde a forma, as cores se fundem numa só, e eu só escuto ABBA tocando nos meus ouvidos, e é tudo tudo muito louco mesmo. Tsc tsc.

E como já dizia o amigo de CS de Fernando (eufemizando): Aspirar o orifício anal com a mangueira, ninguém almeja!

4 de mai. de 2009

If I fell


- Mas, como pode a gente se apaixonar assim, de supetão, por um pedacinho de sorriso miúdo brotado dos lábios de um semidesconhecido?
- Menina, tu não se apaixonou por esse rapaz, nem por nenhum outro.
- Como não? E o que é isso aqui batendo forte em mim? Me diz.
- Você se apaixonou foi por se apaixonar. Fascina-te o amor de brincadeira, essa coisa masoquista de ficar se desgastando, de gostar só por gostar. Você ama o amor, mas sequer conhece o amante. E sabe? Para com isso. Para já com isso, veste o seu sorriso mais bonito, aquele de girassol, sabe?, e vá pro mundo.
- Mas... e ele? E aquele rapaz que eu já amo? O que faço com o nosso depois?
- Esquecerá rápido, como todos os outros. Coloque logo uma pedra lisa no meio dessa história, não gaste seus sonhos, menina. Você tem o mundo todo pra você, como um jardim, esquila.
- Não, não. Não posso deixá-lo agora. A gente nem sequer compartilhou um beijo ou um sorvete de flocos.
- Menina, guarda seus beijos. Não há criminoso sem crime, nem nada que dure uma nuvem. Acredite em mim, seus beijos ficarão melhor ansiando nos seus lábios de moça. Até aprender a jogar como se deve, até ter todas as cartas a mostra na mesa. Anda, me dá a mão, tira esse bico dessa cara bonita, bota sua máscara de passarinha e me segue.
- Tá. Eu vou! Mas só se for sonhando...

3 de mai. de 2009

Tal qual


Tal qual um gigolô
Meu coração se vende
Por qualquer dúzia de palavras
Por qualquer sorriso distraído
Tão promíscuo!
Esse coração bobo que samba
Enredos de várias escolas
Choros de várias violas
Coração vadio, coração safado
Constantemente aparvalhado
Constantemente machucado
Inconstante.
Tal qual um gigolô!

2 de mai. de 2009

- Então neguinha, qual o drama?

O drama é que eu te gosto tanto, mas tanto, que esse gostar já tá me dando um trabalho danado;
O drama é que nem disfarçar consigo mais, nem fingir tento mais, nem fugir posso mais;
O drama é que a saudade é um caminhão e a distância é um patinete (Isso também não te revolta não?);
O drama é que se eu te ponho no colo não largo mais é nunca, te encho de carinhos e beijinhos sem ter fim;
O drama é que você é de todo lindo e quando dá risada desintegra meu coração todo todo;
O drama é que eu te quero, todo e sempre, bem assim e só assim;
O drama nêgo, é que você ainda me faz drama!
Bendito dedo-podre...