31 de out de 2011

Resquícios do meu charme



Ainda há em mim agora resquícios do meu charme. Apesar da decadência insone que bate na minha porta todas as noites com uma garrafa de uísque nacional na mão direita e dois vinis de Tim Maia na esquerda, ainda há - e há quem diga que sempre haverá - o pouco que me resta do meu deselegante charme. O charme que ainda mora nas minhas cicatrizes gêmeas no quadril que não sei como surgiram, o charme nas minhas costelas aparentes, cada vez mais aparentes - culpem as noites de mal-dormir, culpem-nas! - o charme das minhas olheiras arrocheadas e da minha apatia de viver cada dia esperando que o próximo chegue trazendo um pouco mais de agonia. Um pouco do meu charme explodindo em baforadas de fumaça, um pouco do meu charme vertido em litros de vômito cor-de-vinho, um pouco do meu charme grudado nas têmporas suadas cheirando a puro álcool. Ainda há, meu bem, e sempre haverá resquícios do meu charme no lixo em que você me transformou.

4 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Resquicios de charme
na lata do lixo,
em um texto quem nao falta
charme e elegância.
Com Tim e uisque.

Bruno Carvalho disse...

Ou você não está nada bem
ou você está muito bem.
Pra escrever tanto e tão bem assim só estando em algum extremo da vida.

Seu fã incondicional,
Reden

subliterato disse...

sempre salvos por esse charme que se esconde, discreto, mesmo meio anêmico, mas em constante dilação, em prol da próxima beleza em que ele possa se deitar, esticar... e de braços abertos, sorrir, besta...

subliterato disse...

dilatação *