3 de jun. de 2008

Serei

Essa noite serei esfinge
E devorarei a tua carne
Saboreando os teus risos
E mastigando os teus suspiros

Essa noite serei serpente
E me enrolarei em teus cabelos
Sufocando os teus sonhos
E envenenando a tua boca sedenta de mim

Essa noite serei carrasco
E te torturarei a alma semi-nua
Açoitarei teus desejos e sonhos
Enquanto arranho o teu peito arfante

Serei soberana do teu mundo
E tu serás o meu escravo
Meu servo, meu vassalo
Subjulgado ao meu querer

Tudo que escutará essa noite
Serão os murmúrios da minha voz faminta
E o que verás, meu querido
Será o brilho louco do meu olhar

Pois tu serás meu
Ao menos por esta noite...



Sophia Anônima

Declarações metafóricas de uma garota-passarinho


Eu sou fragmentos de tudo que gosto sinto e vejo
Sou sinestesias, metáforas e antíteses.
Sou símbolo. Cores. Moldes.
Sou o gosto da fruta que gosto
Sou o doce do doce de coco
Sou afagos e gracejos
Eu sou um beijo!
Sou o sol, sou o mar, sou o sal
Sou a sede que mato
Sou um copo de água fresca!
Eu sou eclipses, sou reflexos
Sou canções
Sou uma dança, um solo de piano
Eu sou um grito calado
Uma estrada, um jardim
Sou lendas e histórias
Sou contada, lida e rida
Eu sou o fim!
O início e o meio de cada
Livro, eu sou as letras
Sou um fim de tarde no verão
Eu sou um não!
Dito após um sim...
Eu sou outrora, sou porém
Sou quanlquer nota de rodapé
E no meu prólogo sempre tem
Lugar pra mais uma interjeição
Pois sou tudo que vejo, sinto e gosto
E tudo cabe numa mão!


Sophia Anônima

Nãomais

As palavras não mais importam
Cansei de sinestesias e de rimas pobres
Sonetos? Não sei metrificá-los
As frases me trairam e
Os pensamentos fugiram de mim
Pois as melhores coisas já foram pensadas por alguém
Eu só tento rumina-las
Em vão
Não leia mais as minhas besteiras
Nem finja que te agrada o meu sentir
Pois nem a mim agrada mais
Já que são ocos e cheios de vácuo!
Ignore-me, ainda há tempo
Fuja dessas linhas sórdidas
Que escrevi sem querer escrever.



Sophia Anônima

4 de mai. de 2008

Amélia

Ela caminhava com pressa por uma larga avenida cercada de prédios altos.O cinza, como um grande monstro, parecia que iria engolir à cidade.
Mas ela não reparava nisso agora. estava com pressa! Muita pressa! Essa sua vida corrida... tantos problemas! Marido, filhos, trabalho. Tanta coisa pra se preocupar.
E ela ali, parada na calçada, esperando o sinal fechar pra tentar atravessar a rua. Verde, amarelo, vermelho.
- Leonora, meu amor!
"Devo estar mesmo louca" pensou. No meio da faixa de pedestres, parado em frente à ela estava um jovem rapaz.
Lindo, loiro e... montado em um cavalo branco. Espantosamente branco. E a estava chamando de meu amor!"Deve ser aquele remédio para os nervos" pensou, enquanto ria nervosamente.
- Por Deus minha amada, eu te procurei por tanto tempo!
- O...Oi?
- Não está me reconhecendo Leonora? Sou eu, Sir Edward Von Hustien, conde de Annemasse, seu futuro esposo!
- Como? Mas eu...
- Vamos minha querida, vou leva-la de volta para o seu castelo, onde em breve nos casaremos!
Amélia respirou profundamente. Se aquilo era uma brincadeira, o pessoal da firma ia pagar caro! Mas se não fosse...Pensou nos filhos bagunçando toda a casa e no marido gritando
para ela adiantar a janta. Pensou nas milhares de horas extras que precisava fazer para completar a renda da família. O nome dela não era Leonora e nem nunca tinha ouvido falar
em nenhuma Annemasse... Mas, quem sabe ele não tinha confundido ela com alguma prima distante? Seu pai disse uma vez que eles tinham parentes lá pras bandas do Ceará...
Que se dane!
Subiu no cavalo branco ajudada pelo belo conde e partiu em direção à Annemasse, (que não ficava no Ceará, como ela suspeitava, mas sim no sul da França) onde viveu feliz para sempre. Até perceber que uma casa com 4 cômodos era mais fácil de se arrumar do que um castelo de 47. E de que quando o conde bebia licor de cereja ficava muito chato. E gay.




Moral da história:
Amélias sempre serão mulheres de verdade. Até em Annemasse.