4 de mai. de 2009

If I fell


- Mas, como pode a gente se apaixonar assim, de supetão, por um pedacinho de sorriso miúdo brotado dos lábios de um semidesconhecido?
- Menina, tu não se apaixonou por esse rapaz, nem por nenhum outro.
- Como não? E o que é isso aqui batendo forte em mim? Me diz.
- Você se apaixonou foi por se apaixonar. Fascina-te o amor de brincadeira, essa coisa masoquista de ficar se desgastando, de gostar só por gostar. Você ama o amor, mas sequer conhece o amante. E sabe? Para com isso. Para já com isso, veste o seu sorriso mais bonito, aquele de girassol, sabe?, e vá pro mundo.
- Mas... e ele? E aquele rapaz que eu já amo? O que faço com o nosso depois?
- Esquecerá rápido, como todos os outros. Coloque logo uma pedra lisa no meio dessa história, não gaste seus sonhos, menina. Você tem o mundo todo pra você, como um jardim, esquila.
- Não, não. Não posso deixá-lo agora. A gente nem sequer compartilhou um beijo ou um sorvete de flocos.
- Menina, guarda seus beijos. Não há criminoso sem crime, nem nada que dure uma nuvem. Acredite em mim, seus beijos ficarão melhor ansiando nos seus lábios de moça. Até aprender a jogar como se deve, até ter todas as cartas a mostra na mesa. Anda, me dá a mão, tira esse bico dessa cara bonita, bota sua máscara de passarinha e me segue.
- Tá. Eu vou! Mas só se for sonhando...

3 de mai. de 2009

Tal qual


Tal qual um gigolô
Meu coração se vende
Por qualquer dúzia de palavras
Por qualquer sorriso distraído
Tão promíscuo!
Esse coração bobo que samba
Enredos de várias escolas
Choros de várias violas
Coração vadio, coração safado
Constantemente aparvalhado
Constantemente machucado
Inconstante.
Tal qual um gigolô!

2 de mai. de 2009

- Então neguinha, qual o drama?

O drama é que eu te gosto tanto, mas tanto, que esse gostar já tá me dando um trabalho danado;
O drama é que nem disfarçar consigo mais, nem fingir tento mais, nem fugir posso mais;
O drama é que a saudade é um caminhão e a distância é um patinete (Isso também não te revolta não?);
O drama é que se eu te ponho no colo não largo mais é nunca, te encho de carinhos e beijinhos sem ter fim;
O drama é que você é de todo lindo e quando dá risada desintegra meu coração todo todo;
O drama é que eu te quero, todo e sempre, bem assim e só assim;
O drama nêgo, é que você ainda me faz drama!
Bendito dedo-podre...

1 de mai. de 2009

Mistério do Planeta

E eu suspiro tendo você perto demais, num abraço só, coração seu, coração meu ritmados.E você olha pra mim e me diz coisas fúteis, que eu sempre finjo ouvir mas tô longe, longe, pensando no nós, pensando no tudo. E eu te abraço do nada, e você finge estranhar, mas eu sei que você tem esses mesmos medos que eu. Essa angústia enorme que me dá quando eu penso não te ter mais por perto, não te pôr mais no colo, não ouvir mais seu riso. E você parece que adivinha, você sempre adivinha, parece que mora mais em mim que eu. Você ri daquele jeito só seu, e me abraça mais forte, quase que pra me machucar, e me pede pra não ficar triste não meu bem, que você vai tá por aqui. Mas tem sombras passando pelo teu rosto também. Meu coração manteiga se desfaz todo todo, e eu olho pra você e penso se é isso que é amar. Se é o amor que eu tento negar, que eu tento fingir que não é, que não acontece. E meus olhos orvalham, uma lágrima desce serpenteando pela minha bochecha e encosta na tua, teu rosto bem rente ao meu. E já não me importa se eu te amo mesmo, e muito menos se você também. Compartilhar uma lágrima é quase dividir um coração.